por Nícolas Vargas

Fazer aniversário é padecer do paraíso. É perder a chave do cúmulo. Acorda-se num dia que seria diferente, mas ele é igual. Talvez essa seja a comemoração: despertar de novo. E só.

No tal calendário moderno de 365 dias, assim que riscar mentalmente na folhinha cada item desse numeral inesperado, vou me deparar com a mesma data, um ano depois, e comemorar, esquecendo a celebração do período anterior, sua inevitável e frustrante igualdade em relação a todas as outras.

Um dia pra receber parabéns por ter sobrevivido desde o último aniversário. Por ter tomado direitinho os remédios para que isso se consumasse. Talvez tudo dê certo, você coma guloseimas deliciosas, beba com os amigos, faça e receba graça, se sinta vivo, curta algum sexo naquela noite e durma em paz até o fim do ciclo de 24 horas.

Talvez não. Mas ok. É só mais um dia. E você sobreviveu, afinal de contas. Como alguém já disse, dessa forma ou de outra, não há o que lamentar quando chega o fim do dia.

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