por Felippe Cordeiro, editor do Meia Palavra, produtor, roteirista y otras cositas más
Estou ficando velho. É isso.
Semana passada falei sobre o poder da felicidade, numa narrativa recheada de nostalgia e naftalina. Olho para pessoas que nascem na década de 1990, atônito por trabalham comigo. Nada contra, mas estou velho.
Quando adentrei no mundo das letras, não de faculdade mas de dedicar-me a escrever, sempre escrevi sobre uma velhice que ainda não veio. Arrependimentos que não tive, de filhos que não gerei e de dores que nunca senti. Hoje em dia escrevo sobre o passado para, de certa forma, tentar entender sobre meu presente.
Passou o tempo em que eu queria desbravar o futuro, imaginar-me como uma pessoa que teria muito chão pela frente, muito combustível para queimar, muitas ambições a conquistar ainda, mesmo que, 30 anos lá na frente, já estivesse preocupado com as decisões do passado.
Costumava aguentar horas e horas acordado, non-stop partying, mas aí dá duas da manhã e peço arrego. Tudo que penso é como estarei hoje e amanhã e no final do mês. Quantas contas a pagar e quantos planos tenho de esquecer conforme o saldo cai.
Fiquei velho.
Sabe o pior de ser velho? É que você começa a reclamar de tudo. Principalmente que está velho. Que não entende como o mundo está do jeito que está. Dizem que ser velho é reclamar por antecipação. É ser vidente do erro dos mais novos.
Ser velho não é doença. Não é a falta de ressacas que me tornam velho. Os cuidados maiores com saúde e segurança – pessoal, familiar, financeira – não são sinal de velhice. Ser velho é não acreditar em mais nada. Creio ainda acreditar em muitas coisas. Até em super-heróis. Ser velho é ser vilão de si mesmo. É não querer mais nada, porquê acha que viu e vivenciou de tudo.
Esquece, voltei a ser jovem. Quero reclamar e depois me tocar, curar-me da doença. Ficar resistente e inspirar a mim mesmo. Bebi da fonte da juventude, aquela da vontade de ainda querer perturbar e causar, em suas devidas proporções, abalos cósmico-sísmicos nesse universo.




