por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, diretor do Trolalá MTV, fazedor de conteúdo audiovisual, wébico e popular brasileiro
Era 1990, eu fazia catecismo e tinha completado 10 anos alguns dias antes. Minha madrinha, que foi também quem me catequisou, entregou, logo após a aula daquele dia, ali mesmo na igreja de São judas Tadeu, no Marapé, em Santos, duas edições de A Teia do Aranha como regalo de aniversário. O arco iniciado naquelas revistinhas consistia, até onde minha memória permite lembrar, em uma aparição do Lagarto, numa escola destruída por esse híbrido entre réptil e humano e na morte do pai da Gwen Stacy. Era a coisa mais forte que tinha lido até ali. Ela faleceu cinco anos depois. Não tô falando da namoradinha do Peter Parker, mas da minha madrinha.
Julho de 2012, eu já adepto da nulidade religiosa, após mandar um hamburguer, assisto a The Amazing Spider-Man com a Bico. A história tem a mesma espinha dorsal daquela que li 22 anos atrás. O impacto é o mesmo. O bonito Andrew Garfield e a estupenda Emma Stone me fazem, finalmente, ver Peter e sua paixão loura materializados, após mais de duas décadas de espera. Chorei durante o filme. Duas vezes. Fora isso, ficou a impressão que poderia ser uma série semanal. Eu acompanharia saudosista e lealmente. E lágrimas escorreriam novamente vez por outra.
Vingadores veio num outro caminho, menos pessoal, mas de uma série que acompanhei por anos, fielmente, e trouxe consigo a materialização, em roteiro e imagens, de uma equipe de heróis com histórias diferentes no talo, poderes variados e uma agência secreta global em seu cangote. E dá pra acreditar em tudo aquilo, imaginei um universo paralelo onde aquela gente enfrenta krulls, Thanos, Beyonder, Loki e todos mais. Consegui gostar de novo do Capitão América! Enxerguei algo legal no Thor! A Scarlet Johansson é a Viúva Negra, véio! Fora Homem de Ferro, Hulk e Gavião Arqueiro, que divertiram mais que os outros, na minha opinião.
Ver os caras sacaneando os governos do planeta pra evitar que a população virasse presunto e, assim, salvando o coração cinematográfico da Terra, Nova York, arrepiou e deu um nó nas tripas nas duas vezes que vi o filme. Incrível. Apaixonante. Cadê a sequência, porra? Tinha que ter um por semestre.
E o Batman? Véio, o Batman foi meu herói preferido por anos. Muitos anos. 20 anos, por baixo (eu tenho 32 de idade). Foi o personagem dos quadrinhos que, ao lado do Demolidor, me apresentou roteiros de gente como Frank Miller. O homem morcego introduziu as trevas da vida pro moleque caiçara. E o fechamento da trilogia cinematográfica atual lembra bastante as sensações que tive nessa época. Aliás, tirando a voz do herói, Christian Bale vence e convence. E, porra, trata-se de uma série que teve o Coringa do Heath Ledger, o treino freak das sombras de Bruce Wayne e um comissário Gordon apaixonante, que acende nosso senso de justiça.
Pois bem, qual o melhor filme?
Uma resolução: veja os três. Aliás, assista a todos os filmes de heróis. Foda-se quem fica com os milhões de dólares. Fique com a diversão. Inspire-se. Seja o herói da sua mulher, do seu homem, do seu filho, dos seus pais, dos seus amigos, do seu espelho.
Esses caras, e mais um monte de personagens que amo e sempre levarei comigo, me ajudaram a ver e viver mais coisas do que aquele menino sentado na igreja imaginava ser possível. E permitem a sensação de que ainda há muitas aventuras para acontecer.







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