por Brunno Constante, produtor artístico da Mix TV e editor do Fita Cassete
A missão de escolher os melhores cinco discos de 2012 foi árdua. Estamos ainda em março, mas já saíram alguns bem bons. Joguei tudo no meu aparelho musical portátil e fiquei nas últimas semanas ouvindo os discos que baixei ilegalmente através dos torrents que aparecem por aí. Deixei muita coisa de fora, até poderia fazer uma lista com dez trabalhos, mas fui até o final do meu deadline e fechei com cinco mesmo.
Deleite-se:

The Shins é uma banda que mora no coração de muita gente. Protestante, indie ou esquerdista que gosta de música. Desde 2001, com o disco ‘Oh, Inverted World’, James Mercy e companhia sempre trazem um trabalho que requer atenção. Belas melodias, arranjos estupendos e pela proeza de deixar o disco fincado em alguma parte de sua massa cinzenta. Foi assim há cinco anos com o incrível ‘Wincing the Night Away’ e, agora, com ‘Port of Morrow’. É o registro do Shins que tem mais elementos eletrônicos. É pouco, mas está lá. A programação rola solta a partir do abre-alas ‘The Rifle’s Spiral’, continua de forma mais contida em ‘Simple Song’ – que tem um solinho perspicaz que acompanha a faixa durante os quatro minutos. Esta foi a primeira faixa que o grupo disponibilizou em seu sítio oficial. O ‘Port of Morrow’ não teve uma estreia avassaladora nos charts da Billboard, mas terá um levante com o seu próximo single, ‘It’s Only Life’ – canção pop que poderia servir de trilha sonora para qualquer seriado ou romântico estadounidense. Ouça: ‘No Way Down‘.

Desde o lançamento de sua primeira mixtape, em 2008, o Odd Future deu um chacoalhão no rap. Demonstrou que ainda o ‘faça-você-mesmo’ pode dar certo, divulgação inteligente no youtube/tumblr, turnê de shows com uma base para vender os mais diversos artigos deles e por aí vai. Tyler the Creator continua sendo o cabeça da gangue e é acompanhado de um time fera composto por Frank Ocean (que caiu nas graças da crítica, Kanye West e Jay-Z), Hodgy Beats, Earl Sweatshirt, Domo Genesis, Mike G, Left Brain, Syd tha Kyd (que lançou um baita disco no ano passado) – além dos integrantes não-musicais Jasper Dolphin, Taco e L-Boy. Em ‘The Odd Future Tape Vol. 2’, como nos outros trabalhos do Odd Future, é extenso. O disco tem 18 faixas, se tivesse menos poderia soar mais forte. Isto também aconteceu nas outras mixtapes. Tem uma hora que fica arrastado e cansa a valer. Vale ir direto para algumas pedradas como ‘White‘, ‘Forest Green’, ‘Oldie’, ‘Ned Flander‘, ‘P’ e ‘Ya Know‘.

Vi a capa do ‘Visions’, achei bacana e baixei, assumo. Aquela caveira com alguns ideogramas me chamaram a atenção. Enfim, o trabalho saiu no finalzinho de janeiro e passou o mês seguinte ganhando menções honrosas por diversos blogs musicais. Basta fazer uma simples busca no Metacritic. A melhor definição que eu ouvi do Grimes é que eles são um pop meio do mal. A canadense Claire Boucher mistura o que bem quer em suas faixas: new-wave, dance punk e o que mais esteja a sua volta. Trata-se do terceiro trabalho dela nos últimos três anos e, na minha humilde opinião, o melhor. A mixagem ficou sob os cuidados dela e do seu empresário, Sebastian Cowan. Em um belo dia, este rapaz decidiu ir para Londres estudar engenharia de som. Depois de algumas temporadas ele voltou para Montreal como um agitador cultural de mão cheia. Fez um belo trabalho. O disco ainda tem a participação de Doldrums, produtor canadense queridinho de algumas bandas como Portishead e Indian Jewelry.

Lana Del Rey entraria na lista dos discos mais importantes de 2012, não dos melhores. Não tem como negar o barulho que a cantora de lábios avantajados fez com ‘Video Games’ e ‘Born to Die’. Durante o finalzinho do ano passado, ela caiu nas graças da crítica musical-gossip. Qualquer passo ou respiro mais fundo estava estampado/publicado em algum lugar. Ela canta bem, tem umas letras engraçadinhas, outras meio corta pulsos. Ao ouvir o álbum por completo, você pensa: “Meu, é tudo meio parecido, né?” Com isso, vale ver algumas apresentações da beldade crush-indie no youtube. Muda um pouco od tom uníssono apresentado no disquinho e entra uma pessoa com mais vida. Espero muito que ela lance ‘Diet Mountain Dew’ como single, a faixa mais para cima.

O novo disco do Beach House, ‘Bloom’, sai oficialmente em maio, mas, nas interwebs, o trabalho já está disponível. No dia que vazou, todos os links que me passavam eram derrubados pela gravadora/selo. Foi uma verdadeira briga, mas nem preciso dizer quem ganhou, pois estou aqui colocando ele nesta listinha esperta. Este é o quarto álbum do simpático conjunto musical de Baltimore, Estados Unidos. Eu conheci apenas com o último deles, ‘Teen Dream’ – não confundam com ‘Teenage Dream‘, da Katy Perry (eu acho que eles colocaram este nome de propósito para confundir os fãs da cantora). É um álbum que tem a cara de um sábado à tarde com bastante sol. Você está de folga, abre uma cervejinha e fica brincando com o seu gato (a). Escrevi esta baboseira, pois não gosto do termo lo-fi. Enfim, vocês captaram o espírito de ‘Bloom’.



