* Por Nina Cerotto, pseudônimo de Luli Liebert, jornalista e aprendiz de escritora para textos com uma pitada de humor negro e alguns palavrões (mas nem sempre…).

Com seus curtos cabelos encaracolados, que a deixam sexy pra cacete – talvez nem ela saiba -, disse:
- São duas coisas de que gosto muito…

Fez uma leve pausa e com um sarcástico risinho que aparecia no canto da boca completou:

- Qual é mesmo a segunda?
E soltou uma mega gargalhada.

Fazia uma hora que Dalila, Lola e Lupércio falavam sobre sexo – muito provavelmente culpa da vibração lunar de uma lua quase cheia -, de pé, naquela calçada suja e em declive que precede o Mercearia São Pedro, vulgo “Pedrão”, segundo Dalila.

A conversa sobre sexo começou logo depois que falaram de trabalho, os três trampam em produtoras, o que aliás dizem os-que-não-trampam-em-produtoras, só quem é de produtora consegue se entender…vai entender?

O insight foi culpa do Barbosa, o quarto mosqueteiro, que ligou e avisou que não ía beber naquela noite, porque estava “dando um talento no bunker!”. Os três cascaram o bico e imaginaram mil e uma situações para ilustar a tal cena… Coisa de gente-de-produtora que tem mania de visualizar as palavras proferidas ao vento, no caso, num telefonema.

Estaria Barbosa em pleno coito? Os três ficaram intrigados. Mandaram uma mensagem pra Barbosa, que obviamente não respondeu, principalmente se estivesse em pleno coito…dãããr.

Daí começaram a filosofar sobre o coito, a cópula, a trepada, o tico-tico no fubá, o mão naquilo, o aquilo na mão, o aquilo naquilo, o aquilo no naquilo dos outros, os outros com os outros nos nossos, enfim… Até que Lola confessou que uma vez, quando estavam com aquilo naquilo dela, ela peidou.
- Mas foi barulhento? Pergunto Dalila.
- Subiu um futum? Quis saber Lupércio.

E ficaram mais horas divagando sobre peidos durante o acasalamento. Então concluíram que casais que peidam juntos, estes sim são os verdadeiros cúmplices, e que esta sim – peidar enquanto se trepa – era a maior prova de entrega ao ser amado. “Ah, os peidos sincronizados”, suspirou Lupércio com ares de quem até então, nunca, nunquinha peidara com sua cônjuge.

E falando em peido e prova de amor, Dalila concluiu:
- Romantismo mesmo é quando a moça peida e o cara pede desculpas.
Conclusão seguida de risos histéricos, obviamente.

Lupércio foi buscar mais algumas doses de busca vida.

Era sempre assim quando se encontravam. Filosofia, antropofagia, sexologia, e outras “gias”.
Até que uma morena – dessas bem boazudas e com cabelos de reclame de TV, lisos e esvoaçantes – entrou no bar e esbarrou propositalmente em Lola.

- Galinha! – exclamou Lola, ainda magoada de ter perdido um peguétchi pra morena dias atrás.

- Que galinha? A da Inglaterra? – disse Lupércio, que logo engatou numa conversa sobre uma galinha que virou santa na Inglaterra…

- Oi? Uma galinha santa…exótico não?, falou Dalila.
Lola fez um tico de xixi na calça de tanto rir, mas não contou aos outros.

- Poooorra, é sério!, disse Lupércio. “Reza a lenda que por volta do ano 600, um nobre cavalheiro da monarquia inglesa era seguido por todo o reino por uma galinha. Até que o bispo local – que não era bobo nem nada -, se aproveitou de um ataque cardíaco na tal galinhazinha e, para ficar numa boa com a nobreza, canonizou a avezinha numa santa”, concluiu Lupércio.

- Moral da história: a galinha botava fé!, disse Lupércio enquanto dava mais uma talagada na busca vida.

* Agradecimentos especiais: Dani Aun e Luiz Amoasei