
Sabedoria de vida
É sexta-feira, puerra!

A sexta-feira em três momentos:
1- O Uruguai, como sempre, esfregando na cara do BRASIU como nosso pueblo é reacionário. O cartaz da campanha acima, de três anos atrás, é ainda BEM atual em território tapuia. Vista a carapuça.
2- Amor em forma de texto meu sobre a Tatá Werneck, no Judão, clica aqui e lê.
3- O melhor vídeo da história, logo abaixo (obviamente, trata-se de uma produção russa). É sexta, véio, bora zoar.
Siga o sapo
Se é pra fazer publicidade eficiente, seja sobre o que for, que se faça mostrando o que você pode fazer, de fato, com aquele produto, serviço ou ideia, e não apenas elencando sensações e os cansativos valores da marca.
Esse vídeo mostra o que você não pode fazer pra te mostrar o que fazer e é por fazer isso estupidamente bem que ele é foda.
Receita de Panqueca Mapuche – A Nazco te ensina a fazer
por Nícolas Vargas
Durante um rolê por Santiago, Chile, nos primeiros dias de 2013, experimentei uma coisa ou outra com as especiarias mapuche, uma série de pozinhos, folhinhas e pozinhos à base de folhinhas, geralmente picantes. Coentro, por exemplo, é algo que os caras amam.
Nessas, em uma lojinha dentro no Centro Cultural Gam, achei uma série de temperos mapuche acompanhados por sal mineiral, naquelas embalagens que trituram pimenta e tal. Optei pelo Merkén, um dos mais tradicionais, saborosos, calientes e famosos condimentos naturais do Chile.
Daí, picareta que sou, fiz uma panqueca de carne moída temperada com esse condimento e proclamei o nome: Panqueca Mapuche.
Vamos à receita!
Rendimento
- Duas pessoas que comem bem ou três pessoas comedidas
Ingredientes
- 400 gramas de carne moída
- 200 gramas de mussarela
- 5 dentes de alho
- Merkén com sal mineral (mas pode perfeitamente ser cominho, coentro, tabasco, malagueta ou mesmo pimenta do reino e sal comum, SUSSA!)
- Cebola e salsinha
- Massa de panqueca
- Molho de tomate
- Sal
- Parmesão ralado
- Óleo de cozinha
Preparo
1- Frite a carne moída – na verdade, fritar não é 100% o termo. Você coloca três colheres de chá de óleo de cozinha, a carne moída (eu curto colocar ela num estágio ~descongelante~, pra aproveitar a água que ela solta e fazer um caldão, que será devidamente evaporado)
2- Vai mexendo e deixando a carne corar por igual, até ficar nesse tom
3- Hora de colocar o Merkén com sal mineral (MAIS UMA VEZ: pode perfeitamente ser cominho, coentro, tabasco, malagueta ou mesmo pimenta do reino e sal comum, SUSSA!)
4- Após devidamente temperada, é legal que a carne receba uma dose generosa de azeite, pra não ressecar enquanto você faz o molho
5- Hora do molho, coloque duas colheres de óleo, dois dentes de alho e refogue
6- Eu uso molho pronto mesmo, mas dou uma mexida e uma over temperada nele
7- Agora é hora da over temperada, nesse clima eu acrescentei sal, alho (sim, mais alho), cebola e salsinha desidratados, além de orégano
8- Pré aqueça seu forno a 250 graus por 10 minutos
9- Monte a panqueca (ah, mas ele usa massa pronta – pelamordedeus, cozinha e cala a boca)
10 – Uma vez enroladas as panquecas, coloca um parmesão arriba
11 – Derrame o molho e coloque mais uma fileirinha de parmesão em cada panqueca já molhada
12- Coloca no forno e deixa lá por dez minutos, a 250 graus mesmo
13 – Voilá, está pronto!
Receita de Frango Xadrez – A Nazco te ensina a fazer

por Nícolas Vargas
Aí está a receita de hoje. Aliás, viu a de ontem?
O Frango Xadrez é um prato facinho, chinês, um dos best sellers não apenas do China In Box, como de 98% dos restaurantes chineses de filmes que se passam em Nova York. Dá um cheiro na versão que eu fiz desse prato, espero que curta.
E, se curtir, compartilha.
Rendimento
- Duas pessoas (podem ser três, se forem todas civilizadas)
Ingredientes
- 450 g de filé de frango
- Um pimentão verde (pode colocar um vermelho também, mas não tinha no mercado aqui perto de casa, então é isso)
- Molho Shoyu (eu usei um quarto de uma xícara de chá)
- Meio copo d’água
- Noz moscada (essa é minha contribuição pessoal pro prato)
- Amendoim (eu ia abrasileirar com castanha de caju, mas esqueci completamente de colocar, fuén)
(- Novamente, é bom ter umas duas cebolas, pra cortar em discos, cozinhar com tudo e tal, mas eu ainda não comprei, beijo)
Preparo
1- Meus filés de frango estavam congelados, então eu descongelei – deixei por uma hora na água pra perder o gelo, mas recuperar a água na mesma medida (colocar congelado direto na panela costuma deixar o frango “emborrachado”)
- Uma vez descongelados os aliens, corte em cubos
2- Refoga um alhinho
3- Frita o frango (eu gosto que fique bem dourado e crocante, mas costumo moderar no óleo)
4- Enquanto o frango frita, vai cortando o pimentones
5- Taca o verdejante e dá uma fritada legal na criança
6- Joga o Molho Shoyu e deixa tudo cozinhar legal em fogo médio por uns cinco minutos e, então, joga a água e mistura bem. Deixa ferver por um minutinho e desliga el fuego (mira a negritude do caldinho, que maravilha)
7- Desliga o fogo, acrescenta uma pitadona de noz moscada e mexe bem
8- Tá pronto.
9- Eu comi com o arroz de ontem.
Receita de Lomo Saltado – a Nazco te ensina a fazer
por Nícolas Vargas
Prometi pra mim que, enquanto não voltar a ter um job totalmente presencial ou um trampo fixo, comerei apenas a comida que eu fizer. No almoço. De segunda a sexta. Isso dito, e tendo em mente que a culinária é a mais pilantra e generosa das artes, resolvi divulgar aqui minhas receitas totalmente aventureiras, que vou inventando ou adaptando de acordo com o gosto do freguês (geralmente, eu mesmo).
O rango de hoje é um prato que minha mãe faz desde que eu era moleque, cujo original eu degustei no comecinho do ano lá no Chile, o Lomo Saltado, uma espécie de versão andina do que a gente chama de Picadinho aqui no Brasa.
Vamos lá!
Rendimento
- Duas pessoas que comem bem(?!) ou três que comem na média(?!)
Ingredientes
- Três batatas médias
- Dois tomates
- 300 gramas de filé mignon (lomo, em español, é filé mignon, mas você pode fazer com a carne que quiser – soja, salsicha, frango – mas lomo é FUCKING AWESOME)
- quatro dentes de alho
- pimenta de sua preferência
- temperos de sua preferência (no meu caso, dessa vez foi sal, salsinha, cominho e pimenta do reino)
(- é bom ter umas duas cebolas, pra cortar em discos, cozinhar com tudo e tal, mas eu não tinha em casa, beijo)
Preparo
1- Corte a batata na vertical, estilo palito. Eu curto batata com casca, é mais nutritivo e fica um visual mais maneiro.
2- Cozinhe as batatas na água por 15 minutos pra dar uma amolecida nas meninas
3- Retire as batatas e as deixe separadas pro grand finale
4- Agora é a hora de cortar os filés na vertical (dá pra comprar já fatiado do naipe “para estrogonofe”)
5- Pique os dentes de alho e misture com a carne ainda crua (a ideia é fritar a porra toda junta – carne e alho)
6- Quando a carne estiver soltando água, tempere a gosto – eu curto forte e minha dica é esse paradinha aqui
7 – Chegou a hora do tomate. Sim, corte na vertical. Tá pegando o jeito.
8- Taca o tomate na panela, mistura e deixa o vermelhão cozinhar.
9- Agora coloque las papas, misture mais e deixe cozinhar mais um pouco
10- Tá pronto.
Depoimento: “Eu comi com arroz.”
Bom, meu querido ou minha querida, se você vier a cozinhar esta receita, seja legal e poste aqui pra eu saber como ficou.
Obs- Tempere o Lomo Saltado com limão a gosto, o verdinho misteriosamente realça o sabor de tudo ao mesmo tempo.
Super heróis, mulher pelada e um francês doidão

por Nícolas Vargas
O artista gráfico francês Grégoire Guillemin tem um dos tumblrs mais legais do mundo (pra mim, claro), recheado de ingredientes pop e sacadas geniais, como reduzir personagens clássicos a ícones minimalistas ou meros traços, e ainda assim mantê-los totalmente reconhecíveis.
A nova série do cara é um deleite pra quem curte a nova mania da indústria cultural: trazer super heróis pra mesma esfera que a humanidade. E eu curto, principalmente quando a obra em questão vem recheada de cenas flamejantes e mamiloscênicas. Vale muito dar uma olhada, pra dizer o mínimo.
De nada.
Veja a série completa clicando aqui.
Verás que um filho teu não foge à luta (só às vezes)

por Nícolas Vargas
O que leva alguém a procurar um serviço de aumento de pênis? O que leva uma pessoa a passar anos, talvez décadas, num emprego que a consome? Por quê um marido vai ao puteiro no horário de almoço a fim de tratar de sua frustração sexual ao invés de tentar comer sua mulher ou mesmo se separar? Por quê criamos nossas crianças estimulando boa parte dos pensamentos boçais que abominamos na juventude? Qual a razão pra falar tanto em mudar o mundo e continuar enchendo a pança de refrigerante e miojo, enquanto nos masturbamos mentalmente tendo como referência gente que nem existe?

É uma noite de terça-feira e, entre scrolls aleatórios em Facebook, Instagram e Tumblr e as manchetes do UOL, num zapping perdidão entre BBB, Sportscenter e À Prova de Tudo, bateu o vazio. Normalmente, a essa hora da noite, a ordem natural das coisas é me distrair, brincar, conversar, mesmo que através de posts, likes e risos, até que bate a soneira, deito, leio e capoto. Mas quando esse sino toca, e tenho que assumir que, conforme os anos passam, ele toca menos, eu fico inquieto. Quero falar e, ao mesmo tempo, não há ninguém com quem eu queira falar.
A vida passa pela minha cabeça, ex-amores, ex-amigos, ex-rivais, ressentimentos, as crianças, “eu” criança, a família, o amor, o trabalho, as pessoas que admiro, amigos, quem eu queria ser quando entrei nessa, quem eu sou e o que realmente quero fazer sobre tudo isso. É posível a gente ter absoluta certeza do que quer? O esforço é para, pelo menos, saber o que mais quero ou, como prêmio de consolação, o que não quero.
Me veio um pensamento, dessa vez, usando aquela filosofia comum em meios de comunicação e empresas em geral: qual a sua missão? Essa é a matriz de tudo que se faz ou fazem pra você: pra quê serve isso? O exercício é pesado: você pensa qual a missão da sua vida, sem viés espiritual ou religioso. Tem que tentar encontrar uma razão pela qual valeria a pena, pra espécie humana, manter-se dividindo espaço, recursos naturais, oxigênio e comida com você.
Já pensou nisso?
Eu tô pensando nisso agora. Será que você ajuda mais a sociedade trabalhando com comunicação de massa ou vendendo café e bolos gostosos, assando coisas que cheiram bem e tem especiarias saborosas em seu interior? E se for pra fazer comunicação, volto pra publicidade? Pro jornalismo? Pro humor puro? Me mantenho nessa mescla de informação real e entretenimento com viés humorístico? Quem paga melhor? As condições pra receber esse dinheiro valem a pena?
Tive outros trampos que amei e, no entanto, varava madrugadas pensando nisso. Ano passado, passei sete meses como freela eventual, com oito horas por semana de trabalho obrigatório e nada mais. Sim, dava pouco mais de uma hora por dia, em média. Quase enlouqueci a partir do quinto mês. Mas não por “não ter o que fazer”, mas porque me acostumei com um estilo de vida que carece de reconhecimento por serviços prestados AND dinheiro. Uma viagem ao exterior por ano. Restaurantes que custam uma bica (qualquer quilo em São Paulo é caro). Táxis para todo lado (eu não dirijo). Cerveja, muita. Muita cerveja. Presente pra todo mundo em todas as datas comemorativas imagináveis. Só moro se for nesse ou naquele bairro. Quando tu vê, virastes uma dondoca fodida. Se tu não interrompe o ciclo, o próximo passo deve ser transar com a luz apagada.
Veja bem, trabalhar uma hora por dia é uma delícia. Teve dia que vi seis horas de Family Guy. Mais de uma vez fui ao cinema à tarde por três dias seguidos. Eu acordava 13h e ainda assim andava no parque antes de almoçar. Tomava porres no meio da semana, e minha mulher, bem como os amigos que comigo bebiam, acordavam cedo pra trabalhar eu eu seguia dormindo a ressaca.
Isso não é uma vida ruim.
Mas, fora o bolso, tem outra coisa que dói: ver os outros colocando projetos no ar enquanto você se torna, na maior parte do tempo, espectador. Dá uma coceira danada. Você pensa, escreve coisas, estratégias. Começa a resmungar sobre o trampo alheio. Vira fiscal de tudo que os outros fazem. Começa a dormir mal. Enfim, véio, quando você vê, tá se oferecendo pra voltar pro pau. Tá postando seu portfólio no Facebook. Tá olhando nervoso pro iphone esperando nego marcar de conversar com você.
Mas algo fica diferente, agora você sabe o real valor do seu tempo. Não só em valores financeiros. Sabe o valor de dormir uma hora a mais, de dormir duas horas mais tarde. Manja que escrever de madrugada pode ser muito produtivo. Reaprende a se ouvir no barulho de uma sala com vários outros. Você manja mais sobre medir as palavras, ouve os outros com mais nitidez.
Recusei alguns trampos, fui recusado em outros e aceitei uma possibilidade suicida, sabendo disso detalhadamente no ato da primeira reunião. Mas a ideia é dar certo. Sempre. E se a intenção de fazer rolar casar tragicamente com um cotidiano que sufoca as chances daquilo sair legal como quem assiste merece ver, usar a experiência de trampolim pra tentar de novo, em outro lugar. Ou no mesmo. Com outras pessoas, ou com as mesmas. Tá tudo certo. Pero hay que fazer direito.
Pensando friamente, agora que o sono apareceu, a ideia é sempre dar um bom presente para um cara com quem tenho uma dívida enorme: aquele moleque de 20 anos que veio pra São Paulo 13 anos atrás dar os primeiros passos, que morava naquele lugar apertado e sujo, comia aquelas gororobas escrotas, que chacoalhava na lotação às 2h pra pegar outra às 6h, que fumava dois maços de cigarro por dia pra distrair a insônia e a saudade. E que sempre adorou tudo isso.
Quem vê TV hoje em dia?
por Nícolas Vargas
Televisão, todo mundo vê, inclusive quem baixa os programas favoritos ou vê em streamings diversos. Se não consome no horário programado pelo canal que produz, o faz no formato e duração delimitados pelo mesmo. Não há como negar, também, que a TV, se não monopoliza o blá, ao menos esgota os demais assuntos debatidos nas redes sociais. Concordas?
Pois bem, anos atrás ouvi em podcasts e debates, bem como em diversos programas dela própria, a TV, que o veículo estava fadado à bancarrota, ao escoamento, ao esvaziamento, pior, ao apocalipse total caso não mudasse sua rota, que ninguém mais tem saco pra programas longos (sim, provavelmente os mesmo profetas que disseram que “ninguém curte texto longo na internet”), que é o cúmulo da resignação esperar dar o horário pra ver o novo episódio do programa que você curte. Hoje essa conversa anda meio esgotada, poucos se dão ao trabalho mala de baixar programa (em qualidade pior que na TV), legenda, sincarzzzzzzzzz, e geral continua vendo TV nos horarinhos previstos e tal e cousa.
Essa geral é menor, a bem da verdade vos digo. Ano passado, na média, apenas 40% dos televisores brasileiros estiveram ligados, números do Datafolha. Hoje em dia um share de 6% segura um programa de TV aberta no ar por mais uma temporada (eu que o diga). 2, 5 pontos de média no Ibope, no sábado à tarde, salvam a pele. Nem sempre foi assim, mas hoje é. E ainda assim, repercurte indiscutivelmente mais que qualquer outro veículo, web inclusa.
O que ouço, quando se debate a relevância da TV é que ela não existe mais como antes, que desde Lost a gente vê uma série de mudanças, sites especialistas numa série, sobras que são publicadas online, quiz, trivia, ARG. Será que é tão diferente assim do que as revistas de editoras associadas e fanzines de fãs que sempre rolaram? Do que os gibis baseados em blockbusters? Do que álbum de figurinhas? É tudo mesmo tão revolucionário? Chegam mais comentários “válidos” nos sites dos programas do que chegavam cartas?
Afinal, onde quero chegar?
Quero falar da minha área: o conteúdo “de linguagem jovem”. Existe uma crise nesse meio aqui no Brasil e quem a nega está sendo engolido sistematicamente. A molecada não é idiota. Não é um blog esperto de um personagem ou apresentador idiota que vai livrar sua pele. Não são “extras” maneiros de um programa desinteressante que vão resolver seus problemas. Não é contratando um roteirista que escreve o que você quer ler que o humorista ruim que vai ao ar toda semana se tornará engraçado. Não é porque você é amigo do divertido diretor do programa, que faz as melhores piadas nas cervejas entre amigos, que esse cara tem a capacidade de divertir geral do “tubo” pra fora.
As pessoas que trabalham com TV, essencialmente com conteúdo de “linguagem jovem”, estão com medo de não parecerem adultas. Trabalharam “a vida toda” pra comandar a parada e agora não conseguem colocar no ar algo que as incomoda, que desafia a lógica do “bom gosto”. O salário sobe e o medo de “perder” o que se alcançou sobe na mesma medida. Não há discussão com chefia, no sentido literal da coisa, ou mesmo “consulta” ao estagiário. Os estagiários, aliás, dão medo. Molecada carreirista é mato hoje em dia. O cara fala em ser roteirista ou diretor, mas não se diverte no set. E o pior é que, depois, ele vai mesmo virar diretor. Estamos fodidos?
Acho que não, pelo menos não agora. Há muito pra ser feito e a multiplicação do conteúdo nacional da TV a cabo é a última oportunidade pra isso. No entanto, o que temos agora é mais gente sem graça falando nada do que algo que preencha o vazio, há uma nulidade “correta” no ar. Esse ponto de virada no humor da MTV, essencialmente, marca esse silêncio, sepulta a primeira etapa de uma conversa com a geração dos 2010, sustentada pelo amadorismo, pelo encontro quase casual de talentos, pela imprevisibilidade, que levou o caldo que faz a vida mais interessante pra tela que fica na sua sala.
Mas creio numa retomada quase imediata, e agora em mais canais que exibem programação jovem. Acho que mais dia, menos dia, e torço pra ser no máximo até março de 2013, nêgo vai sacar que o valor perdido está no amadorismo do “ser jovem”. Ser amador é fazer por amor, ao pé da letra. É coração na ponta da chuteira. Fazer muito com pouco não é necessariamente fazer barato ou do jeito que der, mas planejar todas as etapas e, no mínimo, botar no ar um programa que você assistiria.
Humor técnico não é humor, é técnica. Você ri mesmo do programa de humor que coloca no ar? Música não é matéria de escola, pra você dar aula sobre isso. Você veria um cara chamando clipes e ensinando quem é Bob Dylan? Será mesmo? E se visse, acredita mesmo que lembraria uma linha do que estão falando cinco minutos depois? Não dá mesmo pra virar isso no avesso? O problema é mesmo a música que se apresenta? A lógica do rádio é eficiente na TV?
Tem que se questionar mais, pirar e fazer, mesmo que você tenha que aprovar um powerpoint ou um keynote disso com seu chefe. Se vira, como um adolescente faria. Aliás, deveria fazer.
Melhores do ano da Nazco: VOTE AGORA!

A NAZCO quer saber o que A NAZCO publicou de melhor ao longo do ano.
E a gente sabe que VOCÊ é quem sabe, mesmo que esteja nos visitando pela primeira vez.
Nosso convite é simples: procrastine conosco, visite nossas editorias e indique seu post preferido em 2012 (até porque todos são de 2012, essencialmente porque o site foi lançado em 28 de marçao de 2012, sacou?).
Então é isso, vai clicando abaixo, vendo os posts, se emocionando, rindo, gastando tempo, e depois escreve nos COMENTÁRIOS DESTE POST os seus preferidos.
Bora? GO!

Pompéia, lar do amor globalizado ou Essa chinesa é treta
por Nícolas Vargas
Eu sei que ele está apaixonado. O caixa do mercadinho dos chinas ali da Pompéia. A chinesinha aparentemente chegou ao Brasil há algumas semanas, fala pouco português e usa minissaia. Lê um jornal chinês. Ele aparentemente vem de alguma extremo da cidade. Zona Norte. Zona Leste. Algum desses lugares onde a Rota está matando por você jogar bola, ainda hoje, com a molecada com quem estudou na escola.
Semana passada, enquanto ele passava no leitor digital as garrafas d’água e o Ades de abacaxi que eu tava comprando, reparei como encarava de olho franzido a cena do vendedor de bebidas tentando ensinar umas palavras em português pra ela. Um cara desses que termina o expediente e ajuda a secar a cachaça do boteco mais próximo de casa, tudo pra não chegar e ter que encarar a cilada familiar em que se meteu. Isso, quando não dá uma passada no puteiro antes de tomar a saideira.
A menina parece ser filha da dona, uma mulher que fala português como a imitação caricatural de um oriental genérico feita por um humorista ruim, desses que tem aos montes hoje em dia. Desta forma, portanto, a paixão do caixa seria proibida. A chefe, chinesa da gema, agiria de forma radical na punição a qualquer tipo de aproximação de sua herdeira. A demissão viria certeira e as parcelas do fogão novo da mãe dele iriam pro ralo. Ou, pior, pro Serasa.
Tudo isso logo agora, que ele cortou o cabelo e passou a usar o dobro de desodorante (e acho que vi um buquezinho de flores no compartimento abaixo do balcão).
A maior caverna do mundo

por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, fazedor de conteúdo wébico, televisivo e popular brasileiro
Tava mirando o Somente Coisas Legais e tropecei na maior caverna do mundo, a Hang Son Doong, que fica no Vietnã. As condições desse local são tão específicas que uma mini-floresta se desenvolveu por lá. Tem lagos e esculturas feitas por vento e umidade, além de uma abertura descomunal que permite a entrada de luz. Emociona, sei lá por quê, só de olhar pra ela.
O mais surpreendente é que a caverna ainda não foi investigada por completo, pode ser que reserve AINDA MAIS surpresas.
Ver algo assim, especialmente numa segunda-feira, dilui as picuinhas, tretas bobas, angústias de classe média e até o desgaste com reflexões eleitorais e consequente ressaca ideológico-varonil. Espero que também ajude você a levar o dia pra frente com mais leveza.
Assista agora aos vídeos que a National Geographic fez durante a incursão à Hang Son Doong.
O lineup do Lollapalooza, a morte da Hebe e a ascenção de Celso Russomanno são eventos interligados
por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, diretor do Trolalá MTV, fazedor de conteúdo audiovisual, wébico e popular brasileiro
Lançaram o lineup do Lollapalooza com várias bandas iraaadas e é muito simples assistir a esses shows: basta desembolsar uma pequena fortuna de meio milhar de reais cinco meses antes do festival acontecer, mesmo sem saber ainda como vai rolar a divisão de atrações entre os dias do festival.
Normal reclamar disso, não? O assunto dá pano pra manga.
Mas tem quem ache que não tem cabimento reclamar de algo que é pago com a lógica infálivel, principalmente na ótica paulistano-não-bole-com-minha-farra-cheia-de-bom-gosto-e-atitude: se você não tem plata ou não quer pagar pra ver o festival, oras, cala a boca e não reclama.
Afinal, quem você pensa que é?
Eu?
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A Hebe morreu, o país se comoveu. Choradeira pra lá, pra cá e zilhões de fotos de bitocas na dama da televisão formavam o caleidoscópio de um momento triste.
Ah, mas ela era malufista. Além do mais, ostentava jóias caríssimas num país de miseráveis. E desde quando essa gente toda era fã da Hebe?
Pronto, meia dúzia de chatos movidos a pragmatismo neo ateu borbulhante e sucrilhos Kellogg’s acabaram com a farra do lamento alheio.
Quem a Hebe pensa que era?
O Ayrton Senna?
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Celso Russomanno lidera as pesquisas. Mas eu, o umbigo do mundo, não conheço ninguém que vai votar nele. Onde estão se escondendo os eleitores desse cara? Afinal, esse evangélico, homofóbico, botocado, comedor de minas da banheira do Gugu não passa de um intolerante.
Quem ele pensa que é?
Você?
Body Modification, tatuagem e amputação: vem se divertir
por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, diretor do Trolalá MTV, fazedor de conteúdo audiovisual, wébico e popular brasileiro
De todas as idiotices que a humanidade inventou pra se distrair após o fim da Segunda Guerra Mundial, uma se destaca pela futilidade da intenção e nulidade estética: body modification. Saca?
Sim, body modification. Em uma tradução livre, modificação aleatória do corpo pra punir pai e mãe por ter comprado sucrilhos genérico quando o modificado em questão estava na terceira série do ensino fundamental. Pois é, não bastasse eu ter que explicar pra minha prole, um dia, que eles terão que esperar os 18 anos de idade pra fazer uma tattoo, agora terei que fazê-los esperar também para socar um alargador descomunal na orelha, furar o supercílio, colocar um space invader embaixo da pele do braço, amputar um dedo ou pintar a genitália de azul.
Osso. Tadinhos.
Sou freelancer e, vez por outra, tenho muito tempo livre. Tipo agora. Mas algo me mantém fazendo coisas verdadeiramente divertidas ou úteis e tira o foco de arrancar uma falange ou colorir a cabeça do meu pau. Deve ser comigo o problema, uma vez que não tenho uma tatuagem sequer. Sou assim, galera, atrasadão. Outro dia um gajo me falou: “porra, você tem mó cara de quem tem tatuagem, não faz sentido não ter uma”. Peraí, essa não é a melhor razão pra NÃO ter uma?
Tranquilo, existem tattoos realmente legais, devo não ter encontrado ainda a ideal pra mim.
Pois bem, viremos a página, eu não estou aqui, hoje, pra falar de mim. Me dirigi ao PC (sim, não uso Mac e não tenho tatuagem, atirem na minha cabeça) a fim de falar do tipo de gente que muda o mundo com ideias simples e inventivas, uma turma que deixa nosso cotidiano mais prático e oxigena tudo que existe de errado na vida. E essas pessoas estão ocupadas neste instante enchendo a pele da testa de solução salina, fazendo, assim, um balão logo abaixo do couro cabeludo.
Corre pra lá, bobo, vai ficar de fora dessa?
Histórias verdadeiras.
***
J. era cheirosa e nunca teve CC. Ela adora suvacos. Abraça as pessoas aproximando sua
narina nas axilas alheias. “Cada pessoa tem seu azedinho.”. Ela adorava os odores e quanto
mais amigo, mais cafungava. O dia que o seu primeiro CC subiu, quase com 30 anos, odiou.
***
C. era um garanhão de primeira. Esnobava garotas e comia tantas outras. Um dia, sem muita
paciência, resolveu comer uma ninfomaníaca que estava atrás dele há tempos. N. era gostosa
e fogosa. Os dois transavam feito dois loucos. Só que N., a ninfomaníaca, queria apimentar a
relação. Pimenta no cu dos outros é refresco. Preferiu adocicar. Em mãos: um Danete. A ideia:
C. lamberia tudinho e acharia um máximo. Fato: ela utilizou a guloseima gelada durante um 69.
Na bundinha é melhor.
***
Todos merecem uma segunda chance. C. deu essa segunda chance. Decidiu o dia, a hora e o
motel. Parou o carro na garagem do quarto. N. queria mostrar o vôo do besouro, nova posição
hindu. A feijoada bateu. Correu para o banheiro e cagou, “Tô me preparando para você!”, ela
gritou para C., quando, por uma cretinice do destino, descobriu que a descarga estava
quebrada. Pegou um saco de plástico, agarrou aquele Nautilus e o jogou pela janela.
Exorcizada, tiveram a melhor transa de todos os tempos. C. estava tão extasiado quando
comprou seu possante, quase de colecionador. O item mais raro de seu carro, não encontrado
em qualquer carro por aí que vale a bagatela de 30.000, um imenso côco que parecia a Barbara
Streisand.
***
R. jogava bola e tocava guitarra. Ele era federado. Em futebol, não em guitarra e muito menos,
apenas, na bola. Ao longo de quase seis meses, foi ao parque todo dia para jogar bola. Um dia
chegou a sua mãe e disse: “Quero fazer um curso técnico, decidi minha profissão.”. A mãe
orgulhosa quase chorou, ele fora expulso de 4 colégios e esse era um passo para o
amadurecimento. “Mas eu tenho que voltar um ano, porque estamos na metade e eles não
aceitam alunos novos no meio do ano.”. A mãe acatou e nunca descobriu que seu filho repetiu
de ano por faltas, porque resolveu bater uma bola no parque. Também não teria como descobrir
que seria expulso no outro ano.
***
Todos tem uma história.
1982 a 2012: veja fotos de amigos, na mesma posição, de cinco em cinco anos
Copco Lake, Siskiyou, Califórnia, EUA. 1982. Cinco amigos tiraram uma foto para registrar as férias. E assim o fizeram por quase três décadas, a cada cinco anos.
Acompanhe a aventura repetitiva e bonita dos amigos John Wardlaw, John Dickson, Mark Rumer, Dallas Burney e John Molony.
Dias Comemorativos
por Fernando Cury, community manager, aleatorizador e Pandão
Em 15 de agosto comemora-se o dia do… solteiro? Como assim? Todo dia é dia do solteiro! Saída do trabalho. Sexta-feira. Autonomia para ditar o próprio rumo? Só para o solteiro! Casado não. Esse tem que consultar… E diga-se de passagem: Sempre!
- Amor, o pessoal do trabalho ta querendo sair pra tomar um chopinho? Você quer vir?
- Ah, já sei! Aquela vagabunda que dá em cima de você tá lá.
- Não tem nada a ver, amor…
- Ela vai ou não estar nessa balada?
- Não é balada meu amor. E vai sim, mas… ah, deixa pra lá. To indo pra casa.
E assim vai. O solteiro é mais livre quanto a isso. Todo dia é dia do solteiro, caceta!
Já em 12 de novembro se comemora o Dia Internacional da Qualidade. Sabe o que me espanta? Além de toda a inutilidade, é “internacional”. Outro bem curioso que encontrei também é o 22 de setembro. Dia que em homenagem aos amantes. Acreditam? Nesse dia, os casais devem ter um pouco de compreensão, afinal é o “Dia do Amante”, e uma célebre data como esta não pode passar em branco. Sabem o que fiz quando descobri o Dia do Amante? Fui procurar, claro, qual era o dia do casado, pois já citei acima o solteiro, agora cito o do amante, então pensei comigo: “Pô! Casado tem que ter um dia…”. E não descobri nada sobre isso. Em minhas pesquisas científicas aprofundadas e minuciosas no Google, acabei por encontrar muitos tópicos de debates sobre esse assunto, muitos reivindicando esse dia para ser adicionado no calendário, mas ao que parece, não há nada.
Se você fizer uma pesquisa com relação aos dias comemorativos em nosso calendário, encontrará muitas variedades um tanto quanto pitorescas. Dia 26 de maio é o “Dia do Revendedor Lotérico” (???). No 24 de maio é o “Dia do Datilógrafo”, (sinceramente, ainda existem datilógrafos?). Todo 19 de julho se comemora o “Dia do Futebol”, quando sabemos que dia de futebol são quartas e domingos, com variações para as quintas e sábados. E no 20 de abril que temos o “Dia do Diplomata”, (seria o chocolate? Eu gosto e apoio comemorarmos esse…). A mulher tem dois dias, 8 de março que é o dia internacional, e 30 de abril que é o dia nacional. E gostaria de finalizar com o, não menos importante, “Dia Nacional do Livro Didático”, que realmente é muito comemorado em… Ah! Quem se importa?
Estou de fato acreditando que esse dias comemorativos no calendário são como experiências para que alguns se tornem futuramente feriados, com grandes comemorações e manifestações emocionadas. Assim, suponhamos que o 17 de junho seja oficializado como um feriado nacional… O que é comemorado em 17 de junho? Você não sabe? É o “Dia do Veterinário Militar”, ué! Então, todo ano nessa mesma data, sairiam todos os 89 veterinários militares às ruas reivindicando seus direitos perante à política injusta que rege a programação de horários e vencimentos dessa classe de trabalhadores.
O quê? Militar não reivindica? Bom, esse é um grande desperdício de oportunidade, assim como esse texto também é um grande desperdício. Aliás, hoje mesmo se comemora um dia muito especial, sabiam?
Feliz Dia Nacional do Selo, galera! \o/
Batman, Homem-Aranha ou Vingadores?
por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, diretor do Trolalá MTV, fazedor de conteúdo audiovisual, wébico e popular brasileiro
Era 1990, eu fazia catecismo e tinha completado 10 anos alguns dias antes. Minha madrinha, que foi também quem me catequisou, entregou, logo após a aula daquele dia, ali mesmo na igreja de São judas Tadeu, no Marapé, em Santos, duas edições de A Teia do Aranha como regalo de aniversário. O arco iniciado naquelas revistinhas consistia, até onde minha memória permite lembrar, em uma aparição do Lagarto, numa escola destruída por esse híbrido entre réptil e humano e na morte do pai da Gwen Stacy. Era a coisa mais forte que tinha lido até ali. Ela faleceu cinco anos depois. Não tô falando da namoradinha do Peter Parker, mas da minha madrinha.
Julho de 2012, eu já adepto da nulidade religiosa, após mandar um hamburguer, assisto a The Amazing Spider-Man com a Bico. A história tem a mesma espinha dorsal daquela que li 22 anos atrás. O impacto é o mesmo. O bonito Andrew Garfield e a estupenda Emma Stone me fazem, finalmente, ver Peter e sua paixão loura materializados, após mais de duas décadas de espera. Chorei durante o filme. Duas vezes. Fora isso, ficou a impressão que poderia ser uma série semanal. Eu acompanharia saudosista e lealmente. E lágrimas escorreriam novamente vez por outra.
Vingadores veio num outro caminho, menos pessoal, mas de uma série que acompanhei por anos, fielmente, e trouxe consigo a materialização, em roteiro e imagens, de uma equipe de heróis com histórias diferentes no talo, poderes variados e uma agência secreta global em seu cangote. E dá pra acreditar em tudo aquilo, imaginei um universo paralelo onde aquela gente enfrenta krulls, Thanos, Beyonder, Loki e todos mais. Consegui gostar de novo do Capitão América! Enxerguei algo legal no Thor! A Scarlet Johansson é a Viúva Negra, véio! Fora Homem de Ferro, Hulk e Gavião Arqueiro, que divertiram mais que os outros, na minha opinião.
Ver os caras sacaneando os governos do planeta pra evitar que a população virasse presunto e, assim, salvando o coração cinematográfico da Terra, Nova York, arrepiou e deu um nó nas tripas nas duas vezes que vi o filme. Incrível. Apaixonante. Cadê a sequência, porra? Tinha que ter um por semestre.
E o Batman? Véio, o Batman foi meu herói preferido por anos. Muitos anos. 20 anos, por baixo (eu tenho 32 de idade). Foi o personagem dos quadrinhos que, ao lado do Demolidor, me apresentou roteiros de gente como Frank Miller. O homem morcego introduziu as trevas da vida pro moleque caiçara. E o fechamento da trilogia cinematográfica atual lembra bastante as sensações que tive nessa época. Aliás, tirando a voz do herói, Christian Bale vence e convence. E, porra, trata-se de uma série que teve o Coringa do Heath Ledger, o treino freak das sombras de Bruce Wayne e um comissário Gordon apaixonante, que acende nosso senso de justiça.
Pois bem, qual o melhor filme?
Uma resolução: veja os três. Aliás, assista a todos os filmes de heróis. Foda-se quem fica com os milhões de dólares. Fique com a diversão. Inspire-se. Seja o herói da sua mulher, do seu homem, do seu filho, dos seus pais, dos seus amigos, do seu espelho.
Esses caras, e mais um monte de personagens que amo e sempre levarei comigo, me ajudaram a ver e viver mais coisas do que aquele menino sentado na igreja imaginava ser possível. E permitem a sensação de que ainda há muitas aventuras para acontecer.
Reclamações.
por Felippe Cordeiro, editor do Meia Palavra, produtor, roteirista y otras cositas más
Estou ficando velho. É isso.
Semana passada falei sobre o poder da felicidade, numa narrativa recheada de nostalgia e naftalina. Olho para pessoas que nascem na década de 1990, atônito por trabalham comigo. Nada contra, mas estou velho.
Quando adentrei no mundo das letras, não de faculdade mas de dedicar-me a escrever, sempre escrevi sobre uma velhice que ainda não veio. Arrependimentos que não tive, de filhos que não gerei e de dores que nunca senti. Hoje em dia escrevo sobre o passado para, de certa forma, tentar entender sobre meu presente.
Passou o tempo em que eu queria desbravar o futuro, imaginar-me como uma pessoa que teria muito chão pela frente, muito combustível para queimar, muitas ambições a conquistar ainda, mesmo que, 30 anos lá na frente, já estivesse preocupado com as decisões do passado.
Costumava aguentar horas e horas acordado, non-stop partying, mas aí dá duas da manhã e peço arrego. Tudo que penso é como estarei hoje e amanhã e no final do mês. Quantas contas a pagar e quantos planos tenho de esquecer conforme o saldo cai.
Fiquei velho.
Sabe o pior de ser velho? É que você começa a reclamar de tudo. Principalmente que está velho. Que não entende como o mundo está do jeito que está. Dizem que ser velho é reclamar por antecipação. É ser vidente do erro dos mais novos.
Ser velho não é doença. Não é a falta de ressacas que me tornam velho. Os cuidados maiores com saúde e segurança – pessoal, familiar, financeira – não são sinal de velhice. Ser velho é não acreditar em mais nada. Creio ainda acreditar em muitas coisas. Até em super-heróis. Ser velho é ser vilão de si mesmo. É não querer mais nada, porquê acha que viu e vivenciou de tudo.
Esquece, voltei a ser jovem. Quero reclamar e depois me tocar, curar-me da doença. Ficar resistente e inspirar a mim mesmo. Bebi da fonte da juventude, aquela da vontade de ainda querer perturbar e causar, em suas devidas proporções, abalos cósmico-sísmicos nesse universo.
É Gol!
por Ingrid Coelho, que trampa com Social Media, escreve no Meia Palavra e tem um blog megaboga legal
“A tecnologia permite que você tenha alguns confortos”, era uma das coisas que ele mais ouvia. Isso nunca fez muito sentido na sua cabeça de taxista, que trabalhava até atingir um número no taxímetro dentro de um veículo que insistia em sempre ter alguma peça quebrada e ter que ir pro conserto. Tinha uma sensação de que esse papo de conforto funcionava de forma exatamente oposta. Ai chegou o dia em que ele comprou uma televisãozinha para colocar no carro de trabalho. A TV tem essa coisa de, em sua relação unilateral-monologástica, virar companheira. De repente, tinha algo de conforto ali que antes não existia, afinal. Antes, o que era só pensamento sobre contas a pagar, corridas a fazer e contagem regressiva para o fim do expediente, ganhou espaço para um futebol e Avenida Brasil.
Não Diga Alô
por Fernando Cury, community manager, aleatorizador e Pandão
- É simples, ouvintes da Difusora de Valo Grande e região. Pra ganhar o prêmio maior, um enxoval completo bordado pela dona Guilhermina, é só atender a ligação e dizer “Difusora e Açougue do Almeidinha, um show pro seu churrasco!”. Não pode dizer alô! Vamos pros comerciais…
***
- Ai, menina. Tô precisando dum enxoval desses… E ainda mais bordado pela dona Guilhermina. Que mão ela tem! E já viu quanto ela cobra? Tem que pedir com antecedência.
- É… eu sei. Mas você já se inscreveu no programa?
- Claro!
***
- Voltamos com o programa “Uma Tarde Batuta com a Difusora”, com o patrocínio de “Açougue do Almeidinha, tudo pro seu churrasco!”.
***
- Ai… tomara que sorteiem o meu número…
***
- E vamos pras três ligações de hoje. Lembre-se, ouvinte, não diga alô, diga “Difusora e Açougue do Almeidinha, um show pro seu churrasco!”. A primeira ligação… tá chamando…
***
- Ai meu Deus! Ai meu Deus!
- Calma, mulher…
***
- Lembrem-se: Não pode dizer alô…
- Alô! Difusora e Açougue do Almeidinha, um show pro seu churrasco!
- Ah… mas você disse alô antes. Produção… Isso vale? Não? É… meu caro ouvinte. Não pode dizer alô… Perdeu o prêmio.
- Mas…
- Vamos para a próxima ligação…
***
- Oba! Como é burro. Agora vai ser pra mim… Olha lá…
- Calma amiga. Que coisa…
***
- Tá chamando… Vamos ver agora…
- “Difusora e Almeidinha, Tudo pro seu churrasco!”
- Isso pode, produção? Vale, né? Ah não? Tem que ser exato? Então sinto muito, caro ouvinte, vai ter que ser na próxima…
***
- Nossa! Só tem gente burra nessa cidade…
- Procê ver, menina.
- Mas essa é minha. Só pode ser minha…
- Credo… E se eles não te ligarem nunca?
- Vira essa boca pra lá, jacaré! Imagina… Quero o melhor pra quando eu casar com o Jorginho. Desse jeito teria que deixar a mãe dele fazer, e com aquele mau gosto… Deus que me livre!
- Eu heim…
- Pois é… mas eu tenho fé. Essa ligação é minha!
***
- Vamos pra última ligação de hoje, vamos ver se alguém leva o enxoval confeccionado pela dona Guilhermina. Coisa linda, ouvintes… E olha que tá chamando…
***
- Tá… Acho que tá…
- Tá tocando, mulher! Atende logo!
- Ai meu Deus! Eu não disse!? Eu não te disse!
***
- Será que não tem ninguém? Mais três toques e vamos pro próximo número…
***
- Atende logo, mulher de Deus!!!
***
- Só mais um e…
***
- DIFUSORA E AÇOUGUE DO ALMEIDINHA, UM SHOW PRO SEU CHURRASCO!!!
- Tati?
- Hã?
- Tati? Meu amor? É o Jorginho… O que foi que você disse? Difusora e não sei o que mais…
- Ah não Jorginho…
***
Soube-se que a Tati, após essa ligação e a perda do enxoval da dona Guilhermina, desmanchou o noivado com o Jorginho.
Por quê a Globo não fala de Olimpíadas e a Record ignora Avenida Brasil?
por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, diretor do Trolalá MTV, fazedor de conteúdo audiovisual, wébico e popular brasileiro
A Globo não fala das Olimpíadas, a Record não cita Avenida Brasil. Enquanto no resto do mundo dito civilizado, EUA especialmente, apresentadores de canais concorrentes citam e visitam-se mutuamente, por aqui, politicamente, é melhor não falar do “produto” do canal rival. Mesmo se tratando do maior torneio esportivo do planeta e da produção teledramatúrgica nacional mais impactante dos últimos 20 anos, respectivamente.
Quem ganha o quê com isso? Difícil precisar. Aqui da sala da minha casa observo que o espectador perde, uma vez que a prestação de serviço é claramente incompleta.
E sabe quando o espectador, em essência, perde se o assunto é televisão? Quando o espetáculo se esvazia. Qual a graça de torcer pro Corinthians se você não pode fazer piada com a cara do camarada que torce pro Palmeiras, e vice-versa? Nenhuma, creio eu. Imagina o Na Moral, do Bial, recebendo atletas pra falar de sexo na Vila Olímpica? Editorial em cima do lance. E as cenas da Carminha no Vale a Pena Ver Direito, do Legendários, com o Mion azucrinando? Faria sentido.
Podemos ir além e incluir a Adriana Esteves dando uma entrevista classuda no De Frente com Gabi, do SBT. Dá pra chutar o balde, vá lá, e colocar o Faustão participando da bancada do CQC, na Band.
Já pensou?
Se parar pra listar, as possibilidades beiram o infinito. Citei, inclusive, algumas periféricas pra dar uma noção da universalidade do que seria possível fazer se artistas e conteúdos não fossem vistos por aqui como produtos de despensa.
Mas desencana, por enquanto é assim: os executivos decidem, a gente finge que se diverte.
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Recentemente fizemos uma experiência no Trolalá MTV com Rafinha Bastos, do SNL, da Rede TV!, que gradualmente vem introduzindo com mais assiduidade a cultura dos crossovers entre emissoras aqui no Brasil, e foi bem legal.
Mira (e se diverte, espero):
Avenida Brasil: a Nazco é #teamNina, mas ela precisa parar de enrolar
por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, diretor do Trolalá MTV, fazedor de conteúdo audiovisual, wébico e popular brasileiro
A Carminha é má, a Nina é boa. Assim era no princípio, né?
Daí Nina enrolou-se toda em sua rocambolesca vingança, deu mole pro Max, bagunçou com a cabeça do coitado do Jorginho, alimentou ideias libidinosas no Tufão, ergueu um circo do caralho e acabou demorando demais pra acabar com a megera.
Nessas, Caminha se refestelou e esculachou a magrela vingativa. Fez melhor do que matar a “heroína” dissimulada, já que a humilhação foi de foder. Fosse eu, teria desaparecido da vista da loraloca.
De qualquer forma, muito me assustou boa parte das minhas timelindas da vida estarem recheadas, na noite de sábado, de #teamCarminha, Carminha > Nina e “homenagens” desse naipe. Porra, a mulher matou o pai da Nina e abandonou a menininha no lixão. Vocês tem merda na cabeça?
Por mais enrolada que seja a Nina, eu quero vê-la acabar com a Carminha. Ainda acredito na raquítica da mobilete. Mas por pouco. Ela precisa agir logo, antes que todos que damos apoio, desistamos desse embaço infinito.
Daí vai nos restar ver a mulher do Tufão detonar a delgada de “cabelo joãozinho” enquanto pensamos, com um sorriso irônico nos lábios: “eu falei que você tava demorando”.
Quero ser grande
por Felippe Cordeiro, editor do Meia Palavra, produtor, roteirista y otras cositas más
Quando eu tinha lá pros meus 6 ou 7 anos de idade, a minha me matriculou na natação do CREC do meu bairro, Vila Baeta Neves, em São Bernardo do Campo. Ela fez isso no inverno. Não havia aquecimento. Logo, o professor dava atividades lúdicas para todos os matriculados (leia-se futebol para os meninos e pega-pega para as meninas).
Naquela época eu não era fã de futebol e tampouco achava legal jogar ou assistir. Por influência, em grande parte dos colegas dessas atividades, eu sonhava em ser goleiro da seleção brasileira. Não poderia ser de time, porque não seria de coração. Teria de ser da seleção.
Eu cresci. Imaginei e cogitei ser ator. Ignorei ser jogador, comecei a torcer para meu time do coração e, logo depois, participei do grupo de teatro do meu colégio. Atuei nas peças: O fantasma da ópera, O mágico de Oz, O despertar da Primavera e uma de autoria de um dos colegas de sala.
Eu tinha nascido para aquilo. Envelheci um ano e não quis mais ser ator.
Na minha adolescência cretina, eu gostava de cinema. Queria ser crítico. Parecia menos trabalhoso do que ser cineasta. Era divertido assistir aos filmes e falar bem ou mal. Durante anos mantive num caderno de 90 páginas todas as minhas “notas” para filmes. Título, nome do diretor, ano de produção e nota.
Aquele caderno viveu grandes momentos, incluindo a minha obsessão por Bergman, Lars von Trier e cinema brasileiro.
Era época de prestar vestibular: meu pai queria que eu fizesse Direito. “O que te deixar feliz”, dizia minha mãe.
Ser feliz não era bem matéria de vestibular. Prestei cinema. Quase passei na USP. Passei na FAAP e na Metodista. Não queria Cásper Líbero. Escolhi Metodista pelo contracheque dos meus pais à época.
Não gostava da faculdade. O ambiente estudantil. A graduação. Um porre. Desisti de ser crítico. Tentei ser diretor. Cansei. Diretor de fotografia. Desisti. Diretor de elenco. Uma boa, mas só de vez em quando. Roteirista. Bingo.
Passei o último ano da faculdade entre esboços e o famigerado Trabalho de Conclusão de Curso. Passamos (o grupo) com falhas. E pensei achar o meu caminho entre as letras. Faço meu trabalho, entrego e as pessoas se viram para captar, editar e tudo mais. Mas ainda existia o senso crítico. Aquele menino que queria ser crítico de cinema também queria ser crítico do trabalho alheio.
Voltei ao trabalho em grupo.
De vez em quando eu escrevo para os outros, às vezes para mim mesmo. Em grande parte, não escrevo para ninguém. Anoto, risco, deleto e arquivo. Muitos vão para o lixo.
O irônico é que nunca edifiquei a ideia de ganhar grana com nenhuma dessas coisas. Minha mãe estava certa. Eu só queria ser feliz mesmo.
Fantasmas habitam meus CD’s
O capitalismo é um deserto sem limonada
No vídeo a seguir, “Fata Morgana“, o holandês Frodo Kuipers explica fófis e impecavelmente o vazio e angústia de nosso estilo de vida.
Não Uso Mais Despertadores
- Sabe Gê… Precisamos conversar.
- Ai meu amor, o que foi? Não gostei do seu tom.
- Senta um pouco…
- O que aconteceu, meu buzunzum?
- Sabe o que é? Estou numa fase de liberdade. Quero conhecer novas pessoas. Sair com meus amigos sem me preocupar…
- Como assim? O que você quer dizer?
- Sabe, você é ótima comigo! Nunca tive reclamações sobre você como mulher…
- Não… por favor! Não faz isso comigo…
- Ai Gê… Não torne as coisas mais difíceis do que já estão…
- Mas eu te amo!
- Eu também acho que te amo, só que não estou numa fase de compromisso.
- É liberdade? Eu te dou mais liberdade de quiser e…
- Não é só isso. Você é linda e muito boa pra mim, só que não posso te machucar mais.
- Mas você vai me machucar se me deixar…
- Não, minha flor. Você verá que a longo prazo isso será muito melhor pra você.
- Não! Não mesmo…
- Calma! Você é linda e muito talentosa. Vai superar.
- Não! Por favor… você entrou na minha vida, deixei o Brad Pitt e nunca mais quis saber de ninguém.
- Não é assim. Sei que encontrará alguém que mereça seu amor.
- Só você consegue ocupar meu coração. Só você.
- Tem muitos homens bons no mundo…
- Nenhum se iguala a você. Só você…
- Mas Angelina…
- Me dê mais uma chance pra provar.
- Ai…
- Por favor… Farei tudo que quiser.
- Tá bom, vai. Vamos tentar.
- Te amo!
E Angelina Jolie se atirou em meus braços me beijando loucamente no momento em que o despertador toca e eu acordo pra trabalhar.
Não tenho mais despertador.
Não gosto de trabalhar
por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco, diretor do Trolalá MTV, fazedor de conteúdo audiovisual, wébico e popular brasileiro
Eu não gosto de trabalhar tanto quanto você. Sério. E acho que esse é meu grande diferencial de mercado. Sabe aquele centroavante veterano que não tem a explosão muscular do passado, mas compensa com visão de jogo, corridas na hora certa, comando amigo, dedicação ao time, tapinhas camaradas na bunda e, óbvio, gols? É assim que gosto de me ver.
O Romário chegou a ser artilheiro do Brasileirão, em 2005, jogando assim, às 39 primaveras. O Baixinho meteu 22 gols naquele ano, com Morais(!) e Robson Luis(!!!) como companheiros de ataque. E o segredo pra isso foi não jogar pra torcida nem pra impressionar técnico, mas na base do conhecimento do jogo, no seu timing, convertendo na hora certa. Isso, claro, treinando o necessário, dosando, e indo menos pras noitadas.
Pra ser mais preciso, e totalmente honesto, pior que trabalhar é trabalhar à toa. Passar nove horas dentro de um lugar. Comer (e “descansar”) em 45 minutos. Passar quatro horas (ou mais) indo e vindo do trabalho. Elogiar projetos fadados à banalidade. Se reunir com gente jeca que vai diluir as boas ideias da bola vez (sempre tem alguém – ou “alguéns” – mais inspirado que o resto naquele ponto do espaço/tempo chamado reunião). Bajular gente medíocre que defende a mediocridade como um troféu.
Num documentário sobre os títulos italianos do Nápole na temporada 86/87, vi um dos meus grandes ídolos, Maradona, “el pibe de oro”, afirmando que o tempo que havia antes e depois do jogo era algo que ele literalmente matava (enquanto se matava, infelizmente), que demorava a passar, que tudo que importava eram os 90 minutos do jogo. Pois é. Treino é treino, e treino é chato, e jogo é jogo, e jogo é legal. Mas dá pra jogar sem treino? Pior: será que a vida precisa ser o jogo? Eu respondo com outra pergunta: “será que precisa treinar tanto?”.
Acho que perdemos o limite, como sociedade, entre o trabalho e a vida em si. Não há como a labuta e a intimidade não se misturarem, óbvio. Mas não existe razão pro trabalho ser um modo de vida. Trabalhar é parte significativa de viver, mas esses verbos não são sinônimos. Um tem que beber do outro, mas a gente tem que beber o máximo que der de ambos e não o contrário.
Vou resumir, pra fechar e não perder o alvo: temos que não trabalhar sempre que houver oportunidade.
O coito, o peido e a galinha

* Por Nina Cerotto, pseudônimo de Luli Liebert, jornalista e aprendiz de escritora para textos com uma pitada de humor negro e alguns palavrões (mas nem sempre…).
Com seus curtos cabelos encaracolados, que a deixam sexy pra cacete – talvez nem ela saiba -, disse:
- São duas coisas de que gosto muito…
Fez uma leve pausa e com um sarcástico risinho que aparecia no canto da boca completou:
- Qual é mesmo a segunda?
E soltou uma mega gargalhada.
Fazia uma hora que Dalila, Lola e Lupércio falavam sobre sexo – muito provavelmente culpa da vibração lunar de uma lua quase cheia -, de pé, naquela calçada suja e em declive que precede o Mercearia São Pedro, vulgo “Pedrão”, segundo Dalila.
A conversa sobre sexo começou logo depois que falaram de trabalho, os três trampam em produtoras, o que aliás dizem os-que-não-trampam-em-produtoras, só quem é de produtora consegue se entender…vai entender?
O insight foi culpa do Barbosa, o quarto mosqueteiro, que ligou e avisou que não ía beber naquela noite, porque estava “dando um talento no bunker!”. Os três cascaram o bico e imaginaram mil e uma situações para ilustar a tal cena… Coisa de gente-de-produtora que tem mania de visualizar as palavras proferidas ao vento, no caso, num telefonema.
Estaria Barbosa em pleno coito? Os três ficaram intrigados. Mandaram uma mensagem pra Barbosa, que obviamente não respondeu, principalmente se estivesse em pleno coito…dãããr.
Daí começaram a filosofar sobre o coito, a cópula, a trepada, o tico-tico no fubá, o mão naquilo, o aquilo na mão, o aquilo naquilo, o aquilo no naquilo dos outros, os outros com os outros nos nossos, enfim… Até que Lola confessou que uma vez, quando estavam com aquilo naquilo dela, ela peidou.
- Mas foi barulhento? Pergunto Dalila.
- Subiu um futum? Quis saber Lupércio.
E ficaram mais horas divagando sobre peidos durante o acasalamento. Então concluíram que casais que peidam juntos, estes sim são os verdadeiros cúmplices, e que esta sim – peidar enquanto se trepa – era a maior prova de entrega ao ser amado. “Ah, os peidos sincronizados”, suspirou Lupércio com ares de quem até então, nunca, nunquinha peidara com sua cônjuge.
E falando em peido e prova de amor, Dalila concluiu:
- Romantismo mesmo é quando a moça peida e o cara pede desculpas.
Conclusão seguida de risos histéricos, obviamente.
Lupércio foi buscar mais algumas doses de busca vida.
Era sempre assim quando se encontravam. Filosofia, antropofagia, sexologia, e outras “gias”.
Até que uma morena – dessas bem boazudas e com cabelos de reclame de TV, lisos e esvoaçantes – entrou no bar e esbarrou propositalmente em Lola.
- Galinha! – exclamou Lola, ainda magoada de ter perdido um peguétchi pra morena dias atrás.
- Que galinha? A da Inglaterra? – disse Lupércio, que logo engatou numa conversa sobre uma galinha que virou santa na Inglaterra…
- Oi? Uma galinha santa…exótico não?, falou Dalila.
Lola fez um tico de xixi na calça de tanto rir, mas não contou aos outros.
- Poooorra, é sério!, disse Lupércio. “Reza a lenda que por volta do ano 600, um nobre cavalheiro da monarquia inglesa era seguido por todo o reino por uma galinha. Até que o bispo local – que não era bobo nem nada -, se aproveitou de um ataque cardíaco na tal galinhazinha e, para ficar numa boa com a nobreza, canonizou a avezinha numa santa”, concluiu Lupércio.
- Moral da história: a galinha botava fé!, disse Lupércio enquanto dava mais uma talagada na busca vida.
* Agradecimentos especiais: Dani Aun e Luiz Amoasei
O jogo
por Nícolas Vargas, editor-chefe da Nazco (texto escrito em meados de 2002, ainda na faculdade, e nunca continuado)
Faltava pouco para entrarmos em campo (na verdade, íamos entrar em quadra, mas considero o “campo” muito mais romântico). Sem dúvida, o time mais bizarro da história do torneio interclasses de futsal da Unidade de Ensino Descentralizada de Cubatão da Escola Técnica Federal de São Paulo (ufa!). A gente suava frio, sem saber ao certo se era efeito da pinga com mel ou do nervosismo. Éramos o segundo time do primeiro ano de Informática Industrial e, sendo assim, os caras bons de bola disputavam o título no primeiro.
Basta ler a escalação da equipe para saber que ninguém ali sabia tratar a pelota com carinho peculiar: Bósnia (um cara que ficou com uma puta cicatriz no olho ao bater com um pedra em num montinho de pólvora de bombinha), Feio (um cara feio), Baygon (louco varrido
e vagabundo profissional), Geléia (flácido), Urina (na época, para que se adquirisse o direito de tomar seu primeiro banho após a educação física, você tinha duas opções: atravessar os três chuveiros com um sabonete entre os glúteos ou ser urinado por toda a fila), Porco (esse apelido era meu, por ser, claro, gordo, e reforçado pelo fato de eu nunca tomar banho depois da
educação física) e Juca (um cara que dava tapões em sua própria cabeça enquanto falava).
A equipe adversária era a principal do primeiro ano de Eletrônica, uma das favoritas do torneio. Sabíamos que, para ter alguma chance de vencer, tínhamos que apostar nossa vida naquela partida. Literalmente, pois nossos adversários daquela tarde pertenciam a uma das classes mais violentas da escola e havíamos feito a rapa (na hora do recreio, juntávamos um grupo afim de invadir a sala vazia de outro curso para pegarmos o que nos interessasse em termos de material técnico, entre lapiseiras, compassos, esquadros, blocos de desenho e borrachas) na sala deles há apenas dois dias, que, naturalmente, nos haviam jurado uma surra.
Chegamos na quadra, que ficava em uma outra escola. O professor já nos aguardava, bem como os adversários, que aparentavam estar se aquecendo há um bom tempo.Haviam torcidas, tanto para nós quanto para os rivais. A rapaziada da nossa classe, olhando de fora, nos passava com o olhar a obrigação moral da vitória. Estávamos fodidos e pessimamente pagos.
Lembro de ter uma vontade incrível de ir embora daquele lugar assim que mirei o chão de concreto da quadra. Tinha certeza de que, ali mesmo, seria desfigurado um rosto bochechudo. Senti um tapa nas costas. Era o Urina:
- Porco, firma o pensamento de que a gente pode! Vamos ganhar essa porra! – juro que eu não punha a menor fé nas palavras do Urina que, aliás, era banco.
O professor chamou, então, todos para o centro da quadra. Resolveu deixar algumas ressalvas antes de apitar o início da partida:
- Sei que vocês não com a cara uns dos outros, mas aqui é futebol. O negócio é jogar bola. Quem partir pra ignorância vai ser expulso do jogo e suspenso da
aula, entenderam?
Fizemos que sim com a cabeça, nos distribuímos pela quadra e foi apitado o início do jogo. Eles saíram com a bola, como bem havia definido o cara ou coroa. De começo, me lembro de ter tomado uma caneta. Juca defendia repetidas bolas e logo me liguei que teria de tomar uma atitude.
Como todo garoto sabe, o cara que toma a primeira caneta vira alvo preferencial de dribles. Todo ataque dos caras passava por mim, que não conseguia reter uma bola sequer. Do banco, Urina e toda a rapaziada da minha classe gritavam para que eu distribuísse porradas. De cabeça quente, aceitei prontamente a sugestão.
CONTINUA …














































































































